segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"A Espera"

"A Espera"

"De dentro de mim, enrodilhado,
por meu olhar contemplas o universo.

Vem, minha criança, não tenhas medo.
Sai dessa concha de sangue e carne onde
te preparas para o mistério da vida -
estou à tua espera.

Vem, quero te falar das marés e da Lua Cheia,
quero te contar dos homens e de suas invenções.

Conheço cantigas de ninar com as quais te embalarei,
para que teu sono seja tranquilo.
Sei histórias de fadas e de heróis e vou narrá-las, uma por uma,
para que seja alegre teu despertar
e divertido teu dia.

Ouve: esse rumor surdo e contínuo - que te faz
companhia aí dentro nessa noite de tantas luas - é meu
coração batendo. Ele continuará pulsando por ti, quando já
tiveres saído e me olhares nos olhos. Por esse som me
reconhecerás, aqui fora, quando estiveres nos meus braços e
eu te aconchegar no meu peito.

Esta será nossa senha, para o resto da vida.
Toda vez que a tristeza escurecer o teu semblante,
sempre que a aflição fizer teu coração bater mais rápido,
corre para mim e encosta a cabeça no meu regaço. Aí
ouvirás de novo esta mensagem.

Estarei te esperando. Como hoje."

(Lidia Rosenberg Aratangy, "Olho no Olho")

Nenhum comentário:

Postar um comentário